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Você pode mesmo fazer plástica?

Mas para alguns pacientes a satisfação com o resultado, por melhor que venha a ser, será sempre algo difícil de ser alcançado.

São pessoas com traços de personalidade que dificultam ou mesmo impedem o contentamento. Saem da operação frustradas e, em grande parte dos casos, continuam a procurar o médico com queixas vagas. Correm ainda o risco de passar por muitas outras cirurgias sem jamais atingir a aparência pretendida. Em outras palavras, são aqueles a quem os médicos Peter Adamson, da Universidade de Toronto, no Canadá, e Theodore Chen, de um serviço de saúde da Califórnia, nos Estados Unidos, chamam de “pacientes perigosos”.

Em um artigo publicado na revista científica Facial Plastic Surgery Clinics of North America, os dois descrevem em detalhes 12 desses tipos. Na lista, há os que estão passando por uma crise pessoal – como a perda do emprego ou dificuldades no casamento – e enxergam na plástica a solução para todos os problemas, os que são eternamente infelizes, o gênero que enxerga defeitos corporais que não existem e ainda os que tecem durante a consulta longas teorias sobre as melhores opções para seu caso, sem nenhuma credencial para tanto (leia sobre as personalidades no quadro ao lado).

O trabalho é ilustrado com histórias reais de cada perfil. Uma delas mostra o ansioso percurso de Sally, uma mulher de 62 anos que visitou pelo menos seis médicos para coletar opiniões sobre sua cirurgia de pálpebras e face, com medo de ficar insatisfeita. “O que muito provavelmente acontecerá, porque ela já se sente desconfortável em relação à rinoplastia feita com o mais estrelado especialista que encontrou na área, depois de cumprir esse mesmo roteiro. É o que eu chamo de síndrome da procura exaustiva de um médico”, disse Adamson à ISTOÉ.

Os perfis têm a função de guiar os médicos na identificação de pessoas que, no pós-operatório, podem ter aumentadas suas dificuldades psicológicas ou mesmo apresentar sintomas depressivos que atrapalham a capacidade de adaptar-se às mudanças trazidas pela cirurgia. “Todo médico já teve pacientes difíceis de lidar porque não estavam preparados psicologicamente. A detecção desses indivíduos é um recurso muito útil para minimizar o risco de o cirurgião vir a ter problemas”, diz Adamson.

No Brasil, também é comum os cirurgiões se depararem com os tais “pacientes-problema”. O cirurgião plástico Alexandre Senra, com consultório em São Paulo e em Belo Horizonte, já recebeu várias vezes pessoas com expectativas irrealistas quanto ao resultado estético ou ao que ele pode representar nas suas vidas. “Quando começo a identificar esses perfis, acende uma luz vermelha”, conta. Na opinião do especialista, a melhor maneira de descobrir um desses indivíduos é apostar na boa e velha conversa durante uma consulta.

“Costumo ficar uma hora e meia conversando com o paciente. É importante entender o que ele quer, e ser honesto e ético para dizer o que posso lhe oferecer com a cirurgia”,diz. “Se percebo que ele não está preparado, com um jeitinho e muita educação, o dispenso”, conta. O médico contabiliza que, de cada dez pessoas que atende para uma primeira avaliação, discretamente recusa-se a operar três ou quatro. “É melhor fazer isso para não ter dor de cabeça depois com a insatisfação desta pessoa que não tinha indicação formal para a cirurgia”, diz.

Dissuadir um paciente da cirurgia pode levar tanto ou mais tempo do que adequar suas expectativas. Foram muitas as horas despendidas pelo cirurgião Hélio Caprio, do Rio de Janeiro, para convencer a fonoaudióloga Marilda Chaves de que ela não precisava de uma lipoaspiração no abdome. “Tivemos três encontros para discutir esse assunto – há dez anos, há sete e há dois. Eu a examino, comprovo que não tem barriga e que não há necessidade de fazer.

Depois argumento com ela para que mude de idéia. Até agora tive sucesso”, diz Caprio. Apesar da frustração, a paciente entendeu. “Estou agradecida ao dr. Caprio por não ter feito uma cirurgia da qual não precisava. Certamente eu faria a lipo e depois acharia outra coisa para operar”, diz Marilda. Ela agora está grávida e tocou no assunto de uma eventual plástica na barriga para depois que o bebê nascer. O que o cirurgião respondeu? “Ele fez de conta que não escutou o que falei”, conta a fonoaudióloga.

Finais felizes como esse não são a regra. É comum a rejeição do paciente acabar em atrito com o especialista. O cirurgião gaúcho Marco Aurélio Faria-Corrêa, por exemplo, lembrase até hoje da socialite que deixou seu consultório em Porto Alegre furiosa, garantindo que sairia dali para ser operada pelo melhor dos plásticos da cidade. “Ela disse que tinha 15 dias, dados pelo marido, para entrar em forma. Queria mudar o rosto, os seios, o abdome e afinar as coxas. Eu disse que o tempo não era suficiente e que, no final, a plástica não faria o marido voltar a amá-la. A cirurgia conserta o físico, não uma vida”, rememora Marco Aurélio, que sugeriu uma terapia de casal.

Paralelamente ao trabalho no sul do País, o cirurgião começou a operar em 2003 em Cingapura, no Sudeste Asiático, onde hoje possui três clínicas. Na Ásia, o Dr. Marco, como é conhecido, enfrenta o desafio de contentar as mulheres que desejam mudar seus traços étnicos. Sua clientela é majoritariamente composta por chinesas, malaias, indonesianas e indianas em busca da chamada ocidentalização dos traços.

Guia para médicos

Os perfis ajudam os cirurgiões na identificação de pessoas que, no pós-operatório, podem ter aumentadas suas dificuldades psicológicas ou apresentar sintomas depressivos.

Trata-se de um campo em expansão e dos mais delicados, em que diferenças milimétricas na inclinação do nariz ou na mudança do desenho dos olhos podem fazer com que a paciente se sinta descaracterizada em relação a sua etnia.

Como se resolve isso?

“Fiquei três anos trabalhando na clínica de outros médicos para entender os padrões de beleza. E, agora que abri as minhas clínicas, não opero antes da segunda ou terceira consulta e de conversar bastante para avaliar o grau de segurança da pessoa e se ela entendeu bem as limitações da operação”, diz o cirurgião.

Segundo ele, as mais sujeitas a não aceitar os resultados são as que se operam sem ter o apoio da família ou vão às consultas com retratos das mulheres ocidentais com as quais desejam ficar parecidas. Essas situações também foram descritas pelos autores Adamson e Chen no recente trabalho. O fato é que os cirurgiões têm dado muito mais atenção à seleção dos pacientes. Na opinião do cirurgião Adamson, em boa parte isso é uma conseqüência da grande quantidade de programas de televisão com casos reais e também séries sobre cirurgia plástica.

“Os médicos estão conscientes de que muitos assistem a esses espetáculos e ficam esperando milagres, sem pensar nos custos, riscos e limitações.

Por isso, estão tomando cuidado”, afirma a americana Wendy Lewis à ISTOÉ. Autora do livro Plastic makes perfect, the complete cosmetic beauty guide, Wendy tem voltado sua atuação justamente para a difícil arte de preparar pacientes para cirurgias plásticas.

Entre outras funções, ela ajuda os candidatos a adequar as expectativas e a saber, afinal, se podem submeter-se à plástica e, principalmente, se conseguirão sair dela finalmente satisfeitos.

Saiba Mais: http://www.istoe.com.br/reportagens/733_VOCE+PODE+MESMO+FAZER+PLASTICA+

Autor: Dr. Alexandre Senra (CRM/SP 95678)

O cirurgião plástico Dr. Alexandre Senra se formou em Medicina no ano de 1991 na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, tendo feito sua especialização obrigatória para ser cirurgião plástico. Possui Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), referendado pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

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