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Os segredos da Lipo

O lado positivo de tamanha procura é que cada vez mais indivíduos ficam satisfeitos com a própria silhueta. A outra face do fenômeno é a existência de muitos pacientes frustrados com os resultados. O problema ganha expressão na quantidade de gente que marca novas consultas para consertar estragos. Em alguns consultórios do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo, quatro a cada dez pacientes estão à procura de soluções para furos, manchas e ondulações na pele por culpa de procedimentos malfeitos.

O número de insatisfeitos tem tomado dimensão tão importante que está motivando acaloradas discussões internacionais. Nos Estados Unidos, a Sociedade de Cirurgia Plástica criou uma comissão só para lidar com a questão. Nesta semana, o Brasil pega a mesma trilha, com a inauguração de um grupo similar na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Os especialistas irão investigar os motivos que levaram a lipo a dar errado em casos de pessoas internadas depois da alta por complicações pósoperatórias e naqueles em que houve morte. “Com esses dados, faremos um trabalho de esclarecimento dos médicos e da população”, afirma José Tariki, presidente da entidade.

No meio médico, comenta-se que os índices de problemas e óbitos têm ultrapassado os limites aceitáveis. Um levantamento breve na internet mostra os nomes de pelo menos dez pessoas mortas após lipoaspirações no ano passado, mas seguramente há outros – muitos são subnotificados. Por tudo isso, a preocupação em tornar algumas verdades sobre a lipoaspiração mais conhecidas da população chega em boa hora. O que se quer é que os pacientes tenham claro o que podem esperar da intervenção e as regras que devem seguir para que ela efetivamente dê o resultado almejado.

A primeira verdade sobre a lipo – e que muitos médicos e pacientes desconsideram – é que, por menor e mais breve que ela seja, trata-se de uma cirurgia. Portanto, tem riscos. Isso quer dizer que não é um ato corriqueiro e que um bom préoperatório é fundamental para o processo começar de forma correta. “Fazer os exames clínicos e laboratoriais é indispensável mesmo para tirar poucos mililitros de gordura”, diz o cirurgião plástico Miguel Sabino Neto, da Universidade Federal de São Paulo.

Esse rigor na avaliação pode revelar aspectos omitidos pelo paciente. O desejo de alguns em realizar a cirurgia é tão grande que não contam ao médico que têm DIABETE ou pressão alta, por exemplo. Porém, as duas patologias devem estar controladas antes do procedimento. Caso contrário, há chance de ter problemas graves durante a cirurgia. O levantamento prévio das condições de saúde também contribui para prevenir a trombose venosa profunda, alteração caracterizada pela formação de coágulos nas pernas que podem migrar até o pulmão e o cérebro, obstruir o fluxo sangüíneo nos dois órgãos e levar à morte.

O evento costuma ocorrer em até 5% das cirurgias em geral. Entretanto, um estudo realizado pelo cirurgião plástico Jaime Anger, de São Paulo, constatou que entre as candidatas a uma plástica o risco pode ser bem maior. Depois de analisar 782 mulheres que fizeram uma intervenção do gênero – a lipo entre elas –, o médico constatou que mais da metade tinha possibilidades sérias de sofrer uma trombose. A pesquisa originou uma tabela que aponta o risco de cada paciente e indica formas de evitar o acidente (leia à pág. 69). Premiada e adotada nos EUA, a tabela começa agora a ser difundida no Brasil. Uma das grandes lutas do cirurgião, porém, é convencer os próprios colegas da necessidade de considerar os riscos para trombose na avaliação préoperatória. “Muitos acham que a lipoaspiração oferece risco baixo porque é feita em pessoas saudáveis, mas meu trabalho mostra que não é assim”, diz.

De fato, um dos fatores que elevam as chances é exatamente o perfil da população que faz lipo. Em geral, são mulheres em uma faixa de idade em que é comum o tabagismo, o uso de anticoncepcionais hormonais e a obesidade, entre outras condições que facilitam o aparecimento da trombose. Conhecer o perigo ajuda a evitar casos como o da bancária Luciana Silva, 32 anos, da Bahia. Há três anos, ela se submeteu a uma lipo sem saber que apresentava predisposição genética ao problema – há teste específico para descobrir isso. Teve uma trombose, acrescida de uma infecção, e acabou ficando 34 dias internada. “Fico arrependida de ter feito a operação por causa do sofrimento que causei a mim e à minha família”, lamenta. Em casos arriscados como esse, é possível adotar medidas preventivas, como o uso de meias pneumáticas que estimulam a circulação do sangue nas pernas durante a operação. E na opinião do cirurgião plástico Alexandre Senra, com clínicas em São Paulo e em Belo Horizonte, a possibilidade de complicações diminui muito se a indicação da lipo esti ver correta e o paciente apresentar exames normais e ter sido avaliado detalhadamente durante uma consulta bem-feita.

Outro aspecto sobre a lipoaspiração que merece ser comunicado aos pacientes é que ela dá melhores resultados em pessoas que estão até 10% acima do peso. “Ou seja, não é uma técnica PARA EMAGRECER, e sim para oferecer contorno corporal”, esclarece o cirurgião Senra. Com boa margem de segurança, é possível tirar até 7% do peso corporal. A retirada de volumes maiores, como ocorre nas megalipos, com a extração de 15 ou mais litros de gordura, implica perdas significativas de sangue e minerais. Em conseqü.ncia, crescem as chances de desidratação, anemia e desordens metabólicas.

Um dos fatores que igualmente condicionam o sucesso ou o fracasso da lipo é a escolha do profissional.

Atualmente, o procedimento vem sendo feito também por médicos sem especialização na área, o que eleva as possibilidades de insucesso. Afinal, quem possui o título de especialista cursou pelo menos dois anos de residência em cirurgia geral e três em cirurgia plástica, fez provas escritas e orais e ainda teve de apresentar um trabalho. É de se esperar que esteja mais bem qualificado do que outro que não passou por esse aprimoramento.

Por que não deu o resultado esperado Isabela de Souza (RJ) Aeronauta

 

Um ano depois de dar à luz gêmeos, ela fez lipo na cintura. Por falhas na esterilização da cânula usada na cirurgia, foi infectada pela bactéria mycobacterium abscessus. “Estou em tratamento há nove meses, tomo oito comprimidos por dia e fiz três operações para tirar nódulos”, lamenta.

 

Naima Romero (SP) Estudante de medicina

Depois de uma bem-sucedida lipo no culote há sete meses, ela perdeu oito quilos e se sentia em forma. Mas, por causa dos sanduíches consumidos nos plantões em hospitais e jantares com o namorado, recuperou sete. “Agora, fechei a boca e comecei a lutar boxe”, afirma.

O que eles fizeram para dar certo

Débora Nunes (RJ) Funcionária pública

Fez lipo para eliminar gordurinhas na barriga e no culote, que resistiam à malhação. Agora, mantém a linha e acorda mais cedo para ir à academia antes do trabalho. “Os elogios do marido e da família comprovam os bons resultados”, fala. Alex Barreto (DF) Administrador

Orientado por sua médica, ele ficou dez dias em um spa PARA EMAGRECER antes de fazer lipo de abdome e costas, há cinco meses. Na ocasião, perdeu sete quilos e se qualificou para a cirurgia. “Hoje, mantenho o peso fazendo exercício”, conta. Dábora Santiago (SP) Personal trainer

Ela consultou quatro médicos antes de escolher. Três queriam que ela fizesse outros procedimentos, além da lipo. Débora preferiu a profissional que deu a ela mais segurança e respeitou o que ela queria. “Achei que o resultado ficou na medida certa”, diz.

Cláudia Araújo (BH) Gerente

Cautelosa, foi ao médico de sua confiança e manteve uma expectativa realista. “Sabia que não aconteceria um milagre”, lembra. Também só fez a operação após realizar todos os exames préoperatórios solicitados pelo profissional e usou a cinta elástica pelo período certo.

É p reciso cuidado ainda na seleção do local onde a cirurgia será feita. Para garantir o atendimento rápido em qualquer complicação, profissionais tarimbados têm preferido operar em hospitais. “A lipoaspiração é uma cirurgia segura, desde que respeitadas as limitações de eventuais fatores de risco. Em consultório, é possível fazer apenas pequenos retoques. Todas as outras devem ser feitas em ambiente hospitalar”, diz o cirurgião plástico carioca Paulo Müller. Os especialistas também recomendam que o paciente exija a presença do anestesista ao seu lado durante a operação.

Lipo a laser e com ultra-som

Estão em uso duas opções de lipoaspiração menos agressivas do que as cirurgias realizadas pelo método convencional. Uma delas usa o ultra-som e outra, o laser. Nesta última, a energia é usada para quebrar as células de gordura, que depois são aspiradas e retiradas do corpo por meio de cânulas. Segundo o cirurgião plástico Alexandre Senra – um dos três médicos no Brasil que adotam a lipo a laser –, o método permite uma recuperação mais rápida. “A maioria dos pacientes pode voltar às atividades normais no dia seguinte à operação”, afirma. Isso é possível, entre outras razões, porque o trauma causado na região aspirada é bem pequeno. As cânulas usadas no procedimento a laser, por exemplo, são mais finas (1 milímetro). Além disso, o raio atinge somente as células de gordura, sem danificar estruturas vizinhas, proporcionando menor perda de sangue, menos inchaço e menos dor.

De nada adiantam todos esses cuidados se o paciente se descuidar depois. Há uma cartilha básica do pós-operatório, que deve ser seguida à risca. Senão, tudo pode ir por água abaixo. Uma das medidas é usar – mesmo – uma cinta elástica por 30 a 45 dias.

O recurso ajuda a reacomodar os tecidos da região, contribuindo para a consolidação da forma desejada. Outra atitude importante é submeter-se semanalmente a uma ou mais sessões de drenagem linfática. “É uma massagem que auxilia a desinchar e a se livrar de toxinas que interferem no resultado”, afirma a fisioterapeuta Patrícia da Silva, da Clínica Onodera, de São Paulo.

E, nos primeiros dias após a intervenção, é imprescindível avisar o médico imediatamente de qualquer enjôo, cólica, dor, inchaço ou mal-estar. Em alguns casos, podem ser sinal de erros cirúrgicos. Tão importante quanto isso é manter um equilíbrio emocional que permita duas atitudes: cultivar uma expectativa realista do resultado e se esforçar para mudar hábitos que ameacem o que foi obtido. Quando o paciente sabe de fato como seu corpo ficará – um bom médico nunca promete o impossível – e não joga na lipo a esperança de resolver um casamento em crise, por exemplo, é certeza de sair da cirurgia satisfeito. O mesmo ocorre quando ele realmente modifica seu estilo de vida. Afinal, opera- se o corpo. A cabeça, não. Se ela não mudar, corre-se o risco de engordar tudo o que foi deixado no hospital.

É por isso que clínicas de primeira linha estão oferecendo a assistência de psicólogos, que apóiam o controle de eventuais compulsões alimentares; e nutricionistas, que dão suporte à readequação de cardápios antes bastante calóricos. Quem seguir esses passos certamente conservará os efeitos da lipo por pelo menos dois a cinco anos. É como ensina a cirurgiã plástica Simone Rosa, da Universidade Nacional de Brasília. “O êxito da cirurgia depende de uma parceria entre o médico e a paciente para gerenciar cada etapa e conciliar expectativas”, diz. Se isso for bemfeito, é felicidade na certa.

Saiba mais: http://www.istoe.com.br/reportagens/1145_OS+SEGREDOS+DA+LIPO

Autor: Dr. Alexandre Senra (CRM/SP 95678)

O cirurgião plástico Dr. Alexandre Senra se formou em Medicina no ano de 1991 na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, tendo feito sua especialização obrigatória para ser cirurgião plástico. Possui Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), referendado pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

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