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Esperança para os carecas

Ou passar o pente e a cabeleira se esvair diante dos olhos. Por mais que a música tente animar e que as mulheres digam que não se importam, não adianta: a ameaça de calvície é o mais sério drama estético do repertório masculino.

E confirmado por números implacáveis. “Entre 30 e 40 anos, cerca de 30% dos homens apresentam algum grau de calvície”, diz o cirurgião plástico Ricardo Gomes Lemos. A dor aumenta diante da constatação de que a perda de cabelo, sem chance de reposição, aumenta conforme avança a idade. Atinge 50% dos que já passaram dos 50 anos e 70% dos que estão na faixa acima dos 65. Em busca de solução, calvos em desespero apelam para tudo, de cirurgias a simpatias.

Um alento sério e recente veio da Universidade de Chicago, onde, usando uma proteína chamada beta-catenina, cientistas conseguiram transformar células da pele de ratos em folículos capilares, capazes de produzir novos fios. Será o remédio ideal quando — e se — puder ser aplicado à calvície humana. Enquanto isso, restam aos capilarmente desfavorecidos alguns consolos.

Primeiro: os antigos implantes, aquela funesta formação militar de tufos que marcava a cabeça de calvos inconformados no passado, ficaram um pouco mais naturais.

Segundo: os remédios, se ainda não fazem crescer cabelo, já conseguem reforçar fios enfraquecidos. Por último, as intoleráveis perucas pelo menos já não voam a um sopro de vento mais forte.

Implantes continuam longe de perfeitos, mas enganam melhor. “Achei ótimo. Estou indo para a segunda cirurgia”, elogia o comerciante pernambucano Paulo Sávio Tude Rodrigues, 33 anos, que mora em Parnaíba, no Piauí, e viajou para São Paulo em fevereiro passado só para plantar fios novos no cocuruto. Ao contrário dos antigos nacos de couro cabeludo com tufos que cresciam para todos os lados, no chamado efeito “cabelo de boneca”, hoje se implantam um a um, dois a dois ou, no máximo, três a três fios selecionados, de preferência pertencentes à mesma “unidade folicular”, o que garante crescimento uniforme.

Os cirurgiões também ganharam perícia e fogem da artificialíssima linha perfeitamente reta de fios no alto da testa, que entregava o segredo do implantado ao primeiro olhar. Supra-sumo do requinte, escolhem fios finos e suaves para a linha de frente, imitando a penugem natural da área. Por ter melhorado, os implantes não param de aumentar. Nos Estados Unidos, são cerca de 60.000 cirurgias por ano. No Brasil, não chegam a um décimo disso, mas o interesse cresce todo dia.

“Em 1998, a procura aumentou 30%”, calcula Luiz Haroldo Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro. “Hoje faço uns trinta implantes por mês. Há dois, três anos, fazia no máximo vinte”, calcula o cirurgião plástico Munir Curi, de São Paulo, pioneiro no país da técnica do microtransplante fio a fio, a mãe dos resultados mais naturais.

Boné na praia — A cirurgia dura de uma a quatro horas e custa entre 2.000 e 7.000 reais. Dependendo da extensão da calvície, há necessidade de duas ou mais intervenções. Eletricista e dono de lanchonete, o carioca Jorge de Freitas Costa, 44 anos, já fez três e se prepara para, neste ano, enfrentar o quarto microtransplante. “É a única alternativa que dá certo”, proclama. Realizado com anestesia local e sedação, o procedimento lembra uma sessão de tortura. Primeiro, retira-se da parte de trás da cabeça, de orelha a orelha, uma tira de couro cabeludo de 20 centímetros de comprimento e 1,5 centímetro de largura. Dela removem-se os pedaços de pele sem cabelo e recorta-se o que sobra em microrretalhos com um, dois ou três fios. Estas mudas (os implantes) são plantadas em furinhos na cabeça, à média de 1.500 por cirurgia.

“Em três meses, os fios começam a crescer e não voltam a cair”, diz o cirurgião Lemos. Mas cautela na expectativa. “Ninguém vai voltar a ter a cabeleira dos 15 anos”, avisa o cirurgião plástico mineiro Alexandre Senra. Impávidos, cada vez mais calvos se submetem ao bisturi, entre eles famosos como o piloto Emerson Fittipaldi, o humorista Renato Aragão e os atores Guilherme Karam e Diogo Vilela. Karam, 41 anos, fez quatro implantes — o primeiro em 1991, o último em 1998. “Na minha família todos os homens são carecas, e eu me prometi que não ficaria também”, conta.

Afinal, por que é tão terrível ficar careca? A resposta mais comum é o medo de parecer mais velho. “Além disso, o cabelo é tido como recurso de sedução e quem fica careca se acha esteticamente incompleto”, analisa o psiquiatra paulista Luiz Cushnir. “O calvo se sente depreciado, derrotado”, complementa o cirurgião Wagner de Moraes, do Rio de Janeiro. Tudo isso já passou pela cabeça do economista paulista Clovis Reali, 35 anos, que viu os primeiros fios o abandonarem “aos 21, 22 anos” e agüentou enquanto pôde.

Em 1997, apelou para a solução radical.

“Fiz implante e ficou muito natural”, gaba-se. “Incomodava olhar no espelho e me achar mais velho do que de fato era.” Vaidoso confesso, o médico carioca Paulo Roberto dos Santos, 54 anos, já se submeteu a duas cirurgias. “Hoje pareço uns dez anos mais novo”, acredita Santos, que tem outra queixa de ordem prática: “O careca só pode ir à praia de boné”.

Maldição familiar — O grande vilão da calvície é um hormônio, o DHT, existente no organismo de todas as pessoas. Esse hormônio acelera o envelhecimento do couro cabeludo nos homens que, por fatores diversos, entre os quais o mais forte é a hereditariedade, são mais sensíveis a sua ação. Os laboratórios correm atrás de remédios que bloqueiem esse processo. Até agora, só dois, entre os vendidos nas farmácias, têm efeito comprovado, ainda que tíbio, contra a calvície. Um é o Regaine, um vasodilatador que, esfregado no couro cabeludo duas vezes por dia, irriga os folículos capilares e adia seu envelhecimento. Adia, mas não detém. Esse fato inexorável, aliado ao trabalho que dá, acabou empurrando o remédio para o fundo das prateleiras.

“Ele ainda é receitado, mas agora geralmente associado ao uso do Propecia”, diz o dermatologista Vitor Reis. Propecia vem a ser a nova esperança dos candidatos certos à calvície — uma pílula à base de finasterida, primeira substância a efetivamente inibir a queda do cabelo ao dificultar a produção de DHT. Mas não funciona para todo mundo e só faz efeito naqueles que ainda têm cabelo, ou pelo menos resquício dele. “O Propecia é mais indicado nas calvícies iniciais”, afirma o dermatologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cabelo. Assim confia, com todos os dedos cruzados, o comerciante Marcelo de Paula Sousa, 23 anos, que desde os 18 assiste à ampliação das infaustas entradas e de uma carequinha no alto da cabeça. Sousa toma Propecia há quase um ano e está empolgadíssimo, crente de que afastou de sua pessoa a maldição familiar: “Meu avô e meu pai são carecas”.

Quem já exibe uma bola de bilhar no alto da cabeça e está desesperado a ponto de apelar para a peruca pelo menos pode fazê-lo na confiança de que as situações embaraçosas serão menos freqüentes se ela for presa ao valoroso cabelo restante pela técnica do interlace, o entrelaçamento dos fios com a ajuda de uma agulha comprida e pontos parecidos com os do crochê . “A peruca fica como uma prótese fixa”, explica João Costa Pereira, diretor da Interlace Recuperação Capilar, que diz fazer cerca de 2.000 aplicações por ano em todo o país. O professor de mágica Oscar Zancopé, 54 anos, careca desde os 35, rendeu-se ao interlace há catorze anos e diz estar satisfeito. “Como não fica solta, não corro risco de acidentes”, avalia. Para quem não suporta a idéia de uma testa cada vez mais alta, o jeito é se virar como der, enquanto a fórmula de crescer cabelo novo em folha for privilégio de ratinhos de laboratório em Chicago

Saiba Mais: http://veja.abril.com.br/130199/p_072.html

Autor: Dr. Alexandre Senra (CRM/SP 95678)

O cirurgião plástico Dr. Alexandre Senra se formou em Medicina no ano de 1991 na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, tendo feito sua especialização obrigatória para ser cirurgião plástico. Possui Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), referendado pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

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