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Bisturi de terno e gravata

Ela queria saber sobre novas técnicas e tudo o que poderia ser feito para deixá-la com o corpo em forma. Senra, educadamente, falou um pouco sobre o seu trabalho, enquanto o marido escutava a conversa sem emitir nenhuma opinião.

Antes de se despedir, entretanto, ele pediu o cartão do médico. Não demorou uma semana para o executivo entrar em contato. “Ele ia ser transferido para outro país e queria chegar lá em forma porque, quando se sentava, o paletó ficava apertado”, explica Senra. O médico, então, fez uma lipoaspiração na barriga do executivo, o que o deixou enxuto da noite para o dia. A cena relatada acima tem se tornado cada vez mais comum. De acordo com a última pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os homens já representam 12% do total de pessoas que buscam cirurgias estéticas. “No meu consultório, esse número já chega a 30%”, diz Senra.

O que puxa os índices para cima são, principalmente, as exigências do mercado de trabalho. As empresas, evidentemente, não declaram que querem profissionais enxutos e com boa aparência. Acontece, contudo, que isso existe, mas de maneira velada. “Principalmente quando o executivo vai representar a empresa publicamente”, diz Fernando Mantovani, diretor da Robert Half, consultoria especializada em recursos humanos. O que há também é uma preocupação das companhias com a saúde de seus funcionários e de suas reais condições para manter uma pesada rotina de trabalho. “Já tivemos o caso de uma empresa recusar uma pessoa obesa porque tinha medo de ela não ter fôlego para se deslocar nas suas fábricas”, diz Mantovani.

Há, porém, quem credite todo esse fenômeno exclusivamente à vaidade dos próprios profissionais. “Uma coisa que a gente não pode negar é que o executivo é vaidoso por natureza”, diz Marcelo de Luca, diretor da Michael Page, empresa especializada em recrutamento de executivos.

Para atender essa turma, os médicos têm abusado da criatividade e usado uma boa dose de psicologia. Isso porque, mesmo com a difusão da cirurgia estética, os homens ainda têm vergonha. Uma das principais regras é “traduzir” as palavras para o universo masculino (leia quadro). Não se fala em beleza, mas sim em boa aparência. Os homens não usam cremes, mas sim produtos. Eles não fazem cirurgia, mas tratamento. Outra parte crucial do trabalho é a discrição.

“Tenho um dia na semana reservado apenas para atender os homens”, diz Jorge Menezes, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que tem 20% dos seus pacientes do sexo masculino. “Às vezes, nem a secretária do empresário sabe que ele fez cirurgia”, diz o doutor Alexandre Senra, que não menciona valores nem sob tortura. “Opero às sextas-feiras, no Albert Einstein, e eles se recuperam durante o fim de semana.” Cabe, diante dessa afirmação, uma pergunta: Ninguém percebe? “Sim, a mudança é perceptível, mas os executivos não saem falando que fizeram uma cirurgia”, explica Senra.

Geralmente, as intervenções mais pedidas são a lipo na “papada”, cirurgia de pálpebra (retirada de bolsas e excesso de pele), aplicação de toxina botulínica (o famoso botox), ginecomastia (lipo de mama masculina) e a lipoaspiração a laser. Esta última, por ser mais moderna, permite que o paciente esteja apto para voltar à rotina no dia seguinte à operação – na lipo tradicional, a recuperação demora dez dias. “Fiz uma lipo a laser no abdome e estou muito feliz com o resultado. Emagreci e estou até me alimentando melhor”, diz o advogado Mario Paganiozzi.

Depois de operados, dizem os especialistas, os pacientes saem com a autoestima no céu. “Tem gente que COMPRAcarro importado novo e até refaz o guarda-roupa”, diz Senra. Neste caso específico, o médico também dá uma forcinha para os executivos. Afinal, alguns deles retiram as bolsas sob os olhos e continuam usando óculos feios, ou perdem a barriga e mantêm o terno amassado. “Aconselho como se vestir melhor e até indico boas lojas”, diz Senra. Tudo em nome da beleza. Ops! Da boa aparência.

Saiba mais: https://www.istoedinheiro.com.br/bisturi-de-terno-e-gravata/

 

Autor: Dr. Alexandre Senra (CRM/SP 95678)

O cirurgião plástico Dr. Alexandre Senra se formou em Medicina no ano de 1991 na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, tendo feito sua especialização obrigatória para ser cirurgião plástico. Possui Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), referendado pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

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